Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol...


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quinta-feira, 19 de julho de 2012

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A sós
para mim
e para ti também,
quer dizer: eu e tu,
quer dizer: nós.

Nós assim, 
sem ninguém...
Quando eu e tu
nos encontramos,
eu só, tu só,
de repente passamos
a ser nós,
e como sozinhos já não ficamos, 
ficamos a sós...


Eu e tu
a sós,
seja lá onde for, 
quer dizer: nós
e nosso amor...

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Poema: J.G. de Araujo Jorge. Definição, 1958.
Arte: Marc Chagall. A história de Qamar Zaman e da arte da esposa do joalheiro, 1948.

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domingo, 4 de março de 2012

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Porque te tenho e não
porque te penso
porque a noite está de olhos abertos
porque a noite passa e digo amor
porque vieste a recolher a tua imagem
porque és melhor que todas as tuas imagens
porque és linda desde o pé até a alma
porque és boa desde a alma a mim
porque te escondes doce no orgulho
pequena e doce
coração couraça
porque és minha
porque te olho e morro
se não te olho amor
se não te olho


porque tu sempre existes onde quer que seja
porém existes melhor onde te quero
porque tua boca é sangue
e tens frio
tenho que te amar amor
tenho que te amar
ainda que esta ferida doa como dois
ainda que busque e não te encontre
e ainda que
a noite pese e eu te tenha
e não

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Arte: Marc Chagall. O sonho de Paris, 1969.
Texto: Mário Benedetti. Coração couraça.

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sábado, 21 de janeiro de 2012

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As minhas mãos mantêm as estrelas,
Seguro a minha alma para que se não quebre
A melodia que vai de flor em flor,



Arranco o mar do mar e ponho-o em mim
E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas.

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Arte: Marc Chagall, Mãos.
Poema: Sophia de Mello Breyner Andresen.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

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Quanto mais fecho os olhos,
melhor vejo...



Meu dia é noite quando estás ausente
e à noite eu vejo o sol
se estás presente.

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Poema: William Shakespeare, Soneto 35.
Arte: Marc Chagall, Couple with candles & white blossoms

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

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Embora eu tenha de partir, eu te asseguro
Que em nossas almas não haverá separação.
Elas são uma, e, assim como bloco de ouro
Que é distendido em folha, juntas ficarão.

Ou se elas são duas, serão duas apenas
Como duas, as hastes gêmeas de um compasso:
Tu és a haste fixa, mas moves-te em verdade
Todas as vezes que a outra alma avança um passo.



E, enquanto a outra lá bem longe circunvaga,
Essa em seu centro, p'ra ela inclina-se depressa,
Solícita; e só se ergue de novo ereta
Quando a outra haste de sua viagem regressa.

Assim és tu p'ra mim, que, como haste oblíqua,
Obliquamente vago distante de ti;
Tua permanência faz perfeitos meus circuitos
E ajuda-me a voltar ao ponto de que parti.

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Poema: John Donne, A valediction: forbidding mourning.
Arte: Marc Chagall, Le Coq sur Paris.

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sábado, 15 de janeiro de 2011

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Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...


Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas doces de um beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Poema: Florbela Espanca
Arte: Marc Chagall

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

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- Se ser neurótica é querer duas coisas ao mesmo tempo, então sou completamente neurótica.
Vou ficar voando de uma coisa para outra pelo resto da vida.

- Deixe que eu voe ao seu lado.

Texto: Sylvia Plath
Arte: Marc Chagall

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domingo, 14 de novembro de 2010

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A sede se extinguiu, a fome já se foi,
E de lado a lado se rompeu o meu coração;
Meu rosto no espelho está desfigurado,
Meus lábios murcharam sufocados pelos beijos,
Meus peitos se tornaram quase ossadas.



Uma jovem alegre me tomou por homem,
Fiz com que se deitasse para contar-lhe o seu segredo
E ao seu lado depus uma rosa escarlate.

Poema: Dylan Thomas
Arte: Marc Chagall

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

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Escravizo o silêncio
e faço dele o meu mensageiro.



Estou presente em tudo ou mais
e aí onde me procurarem
será a minha próxima ausência.

Poema: Hélder Muteia
Arte: Marc Chagall

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domingo, 12 de setembro de 2010

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Porque não é pela via da linguagem que eu hei de
transmitir o que em mim existe.

O que existe em mim não há palavra que o diga.

Texto: Saint Exupéry
Vitral: Marc Chagall

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

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Ainda bem que não te basta olhar para ver.



Eu dizia de mim para mim:
- Nem aqueles que, através das coisas, sabem tocar o nó divino que as liga umas às outras dispõem permanentemente desse poder. A alma está cheia de sono. A alma não exercitada o está ainda mais. Como esperar que eles sejam tocados pela revelação como que por um raio? Só deparam com o raio aqueles que nele encontram a solução. Porque esperavam esse rosto, tão construídos estavam para serem abrasados por ele. O mesmo se passa com aquele que, mediante o exercício da oração, eu tornei disponível para o amor. Fundei-o tão bem, tão bem, que certos sorrisos serão para eles como gládios. Mas outros, em compensação, não passam de joguete do desejo.
Sei agora que amar é reconhecer e conhecer o rosto lido através das coisas. O amor não passa de conhecimento dos deuses.
Uma verdadeira janela se te rasga naquele preciso instante em que te é dado apreender na sua unidade a propriedade, a escultura, o poema, o império, a mulher ou Deus, através da piedade dos homens. Mas é a morte do teu amor no momento em que não vês nessas realidades mais do que conjuntos. E, no entando, não mudou aquilo que te é dado pela via dos sentidos.
Urge, por isso, converter aqueles que vêm ter comigo olhando sem ver. Só nessa altura se iluminarão e se tornarão vastos. E só então ficarão nus.

Texto: Saint Exupéry
Arte: Marc Chagall

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