Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol...


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domingo, 26 de junho de 2011

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Embora a morte e a vida se oponham uma a outra, como palavras que são, o certo é que só podes viver daquilo que te pode fazer morrer. E o que recusa a morte, recusa a vida.

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Texto: Saint Exupéry, Cidadela.
Arte: Adolphe Bouguereau, Garota defendendo-se de Eros, 1880.

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quarta-feira, 8 de junho de 2011


Adiantei consideravelmente no conhecimento da felicidade e passei a encará-la como problema no dia em que soube ver nela o fruto da escolha de um cerimonial criador de uma alma feliz e não um presente estéril de objetos vãos. Porque não é possível proporcionar a felicidade aos homens como provisão.

Mas nem por sombras acredito que possas ir buscar a tua felicidade à solidão, ao vazio, à nudez, que aliás podem-te levar ao desespero.

Embora a experiência me tenha ensinado que se descobrem homens felizes em maior proporção nos desertos, nos mosteiros e no sacrifício do que entre os sedentários dos oásis férteis ou das ilhas ditas afortunadas, nem por isso cometi a asneira de concluir que a qualidade do alimento se opusesse à natureza da felicidade. Acontece simplesmente que, onde os bens são em maior número, oferecem-se aos homens mais possibilidades de se enganarem quanto à natureza das suas alegrias: estas, efetivamente, parecem provir das coisas, quando resultam do sentido que essas coisas assumem em tal país ou em tal morada. Pode acontecer que eles, na abastança, se enganem com maior facilidade e façam circular mais vezes riquezas vãs. Como os homens do deserto ou do mosteiro não possuem nada, sabem muito bem de onde lhes vem as alegrias e lhes é assim mais fácil salvarem a própria fonte do seu fervor.

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Arte: Adolphe Bouguereau. Temptation, 1880.
Texto: Saint Exupéry. Cidadela.

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