Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol...


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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

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Entre os mortos, num bombardeio ao amanhecer,
Havia um homem de cem anos.

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Texto: Dylan Thomas.
Fotografia: Ângelo Maciel.

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

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A mão que assinou o papel derrubou uma cidade;
Cinco dedos soberanos tributaram a respiração,
Duplicaram a esfera dos mortos e reduziram um país à metade;
Esses cinco reis levaram um rei à morte.

A poderosa mão chega a um ombro arqueado,
As juntas dos dedos foram imobilizadas pelo gesso;
Uma pena de ganso pôs um fim ao crime
Que deu fim à troca de palavras.



A mão que assinou o tratado fez brotar a febre,
E cresceu a fome, e vieram os gafanhotos;
Grande é a mão que mantém o seu domínio
Sobre o homem por ter ele escrito um nome.

Os cinco reis contam os mortos, mas não aplacam
A ferida cicatrizada nem acariciam a fronte;
Há mãos que regem a piedade como outras o céu;
As mãos não têm lágrimas para derramar.

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Poema: Dylan Thomas, The hand that signed the paper.
Arte: John Rogers, Council of war.

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

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Quando acordei, a cidade falou.
Pássaros e relógios e campanários
Se alvoroçaram junto à multidão coleante,
O réptil corrompe numa chama
Os saqueadores e os ladrões do sono,
O mar da casa ao lado dispersou
As rãs e os demônios e a cigana,



Enquanto lá fora um homem, mergulhado
Até a cabeça em seu próprio sangue,
Degolava a manhã a navalhadas.

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Poema: Dylan Thomas, Quando acordei.
Arte: Candido Portinari, Painel Guerra.

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

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Meu único e nobre coração tem testemunhas
Que despertarão tateantes em todos os países do amor;



E quando o sono cego gotejar sobre os sentidos em vigília,
O coração será sensual, ainda que cinco olhos se quebrem.

Poema: Dylan Thomas
Arte: Gustav Klimt

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sábado, 20 de novembro de 2010

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Morri antes da hora de ir para a cama,
Mas o meu ventre então bramia,
E senti na nudez de minha queda
Uma cabeça rubra e áspera que emergia flamejante
E o amado dilúvio de seus cabelos.

Poema: Dylan Thomas
Arte: Eugene Delacroix

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domingo, 14 de novembro de 2010

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A sede se extinguiu, a fome já se foi,
E de lado a lado se rompeu o meu coração;
Meu rosto no espelho está desfigurado,
Meus lábios murcharam sufocados pelos beijos,
Meus peitos se tornaram quase ossadas.



Uma jovem alegre me tomou por homem,
Fiz com que se deitasse para contar-lhe o seu segredo
E ao seu lado depus uma rosa escarlate.

Poema: Dylan Thomas
Arte: Marc Chagall

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

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É que estremece o meu convulso coração quando ela fala
E verte o sangue silábico, ou então se cala.

Trecho: Dylan Thomas
Arte: Henri Matisse

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Da Primeira Febre de Amor

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Da primeira febre de amor ao seu flagelo, da segunda,
Mais branda, ao desértico instante do útero,
De seu desdobramento ao umbigo cortado,
Ao tempo do seio e à época feliz do avental,
Quando nenhuma boca se contorcia por não ter o que comer,
O mundo inteiro era um só, um nada tempestuoso;
Meu mundo fora batizado num córrego de leite.
A Terra e o céu eram como uma colina flutuante,
E o sol e a lua derramavam sua luz imaculada.

Da primeira impressão deixada pelos pés descalços,
Da mão que se levanta, do aparecimento dos pêlos,
Ao milagre da primeira palavra afinal articulada,
Do primeiro segredo do coração, o fantasma que adverte,
À primeira ferida silenciosa na carne,
O sol era vermelho, a luz acinzentada,
E a Terra e o céu como duas montanhas enlaçadas.

O corpo progredia, os dentes irrompiam das gengivas,
Os ossos se desenvolviam, ouvia-se o rumor do sêmen
Dentro da glândula sagrada, o sangue abençoava o coração,
E os quatro ventos, que sopravam como um só,
Irradiavam a luz do som em meus ouvidos,
Despertando os meus olhos para o som da luz.
E amarela era a areia que se multiplicava,
Cada grão dourado dava vida ao que lhe estava ao lado
Verde era a casa que cantava.

A ameixa colhida por minha mãe amadureceu lentamente,
O menino que ela fizera emergir das trevas
Crescia forte ao seu lado no regaço da luz.
Era musculoso, carnudo, atento às coxas que gemiam
E à voz que, como a voz da fome,
Comichava no rumor do vento e do sol.

E aprendi, com a primeira fraqueza da carne,
A linguagem do homem, a retorcer as formas do pensamento
No pedregoso idioma do cérebro, a obscurecer
E novamente urdir a trama das palavras
Legadas pelo morto que, em seu alqueire sem luar,
Não carecia de nenhum calor verbal.
A raiz das línguas se extingue num câncer estiolado,
Que é apenas um nome sobre o qual os vermes fazem um xis.

Aprendi os verbos da vontade, e tinha um segredo;
O código da noite se imprimira em minha língua;
O que fora um só eram muitos a ecoar no espírito.

Um só útero, um só espírito, expeliram a matéria,
Um único seio amamentou o fruto da febre;
Conheci a outra face do céu que se divorcia,
O planeta bilobado que girava em uma órbita;
Milhões de espíritos nutriam uma semente,
Como aquela que bifurca o meu olhar;
A juventude se abreviava, as lágrimas da primavera
Se dissolviam no verão e em centenas de estações;
Um único sol, um só maná, aqueciam e alimentavam.

Dylan Thomas

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

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A luz aflora onde nenhum sol brilha;
Onde nenhum mar se move, as águas do coração
Impelem suas marés; (...)

A aurora emerge atrás dos olhos;
Dos pólos do crânio e dos dedos dos pés, o sangue tempestuoso
Desliza como as ondas do mar;
Sem arrimo ou amurrada, os poços do céu
Jorram até as bordas,
Prenunciando num sorriso o óleo das lágrimas.

A luz aflora em lugares recônditos,
Nos píncaros do pensamento onde seu aroma flutua sob a chuva;
Quando a lógica se extingue,
O segredo da terra germina através dos olhos,
E o sangue salta sobre o sol;
A aurora se detém sobre os campos desolados.

Dylan Thomas

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quarta-feira, 16 de junho de 2010

Porque o pássaro do prazer assobia sobre os ardentes fios elétricos,
Será mais doce o canto de um cavalo cego?

Dylan Thomas

quarta-feira, 12 de maio de 2010



Ainda que os amantes se percam, o amor persistirá;
E a morte não terá nenhum domínio.

Poema: Dylan Thomas
Imagem: Paul Klee

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sábado, 10 de abril de 2010



(...) dizer às nuvens intemporais
Que o tempo é tudo.

Dylan Thomas

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sexta-feira, 9 de abril de 2010




A bola que lancei quando brincava no parque
ainda não tocou o chão.

Dylan Thomas

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quarta-feira, 31 de março de 2010

A Outros Que Não A Ti

Amigo ou inimigo, te desafio.

Tu com tua falsa moeda,
Tu meu amigo, acolá, com ar de vencedor
Que me escondias a mentira quando atrevido devassavas
O meu segredo mais recôndito,
Atraído por faiscantes piscadelas de olho
Até que o doce dente de meu amor mordesse em seco,
Desgastando-se afinal, e eu, já trôpego, sugasse,
Tu, a quem agora imploro que te assumas como ladrão
Na memória esculpida por espelhos,
Com gesto sorridente que jamais se esquece,
Rapidez da mão na luva de veludo
E todo o meu coração sob o teu martelo,
Foste outrora aquela criatura tão franca, tão alegre
Um familiar que nada exigia
Que nunca imaginei fosses fraldar ou crer
Enquanto deslocavas uma verdade no ar,

Pois ainda quando os amei por seus defeitos
Tanto quanto por suas qualidades,
Meus amigos eram inimigos sobre pernas de pau
Com as cabeças ocultas numa nuvem astuciosa.

Dylan Thomas

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