Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol...


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

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Ainda bem que não te basta olhar para ver.



Eu dizia de mim para mim:
- Nem aqueles que, através das coisas, sabem tocar o nó divino que as liga umas às outras dispõem permanentemente desse poder. A alma está cheia de sono. A alma não exercitada o está ainda mais. Como esperar que eles sejam tocados pela revelação como que por um raio? Só deparam com o raio aqueles que nele encontram a solução. Porque esperavam esse rosto, tão construídos estavam para serem abrasados por ele. O mesmo se passa com aquele que, mediante o exercício da oração, eu tornei disponível para o amor. Fundei-o tão bem, tão bem, que certos sorrisos serão para eles como gládios. Mas outros, em compensação, não passam de joguete do desejo.
Sei agora que amar é reconhecer e conhecer o rosto lido através das coisas. O amor não passa de conhecimento dos deuses.
Uma verdadeira janela se te rasga naquele preciso instante em que te é dado apreender na sua unidade a propriedade, a escultura, o poema, o império, a mulher ou Deus, através da piedade dos homens. Mas é a morte do teu amor no momento em que não vês nessas realidades mais do que conjuntos. E, no entando, não mudou aquilo que te é dado pela via dos sentidos.
Urge, por isso, converter aqueles que vêm ter comigo olhando sem ver. Só nessa altura se iluminarão e se tornarão vastos. E só então ficarão nus.

Texto: Saint Exupéry
Arte: Marc Chagall

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domingo, 15 de agosto de 2010

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Todo o nosso conhecimento se inicia com sentimentos.

Leonardo da Vinci
Fotografia: Vanilia

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Da Primeira Febre de Amor

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Da primeira febre de amor ao seu flagelo, da segunda,
Mais branda, ao desértico instante do útero,
De seu desdobramento ao umbigo cortado,
Ao tempo do seio e à época feliz do avental,
Quando nenhuma boca se contorcia por não ter o que comer,
O mundo inteiro era um só, um nada tempestuoso;
Meu mundo fora batizado num córrego de leite.
A Terra e o céu eram como uma colina flutuante,
E o sol e a lua derramavam sua luz imaculada.

Da primeira impressão deixada pelos pés descalços,
Da mão que se levanta, do aparecimento dos pêlos,
Ao milagre da primeira palavra afinal articulada,
Do primeiro segredo do coração, o fantasma que adverte,
À primeira ferida silenciosa na carne,
O sol era vermelho, a luz acinzentada,
E a Terra e o céu como duas montanhas enlaçadas.

O corpo progredia, os dentes irrompiam das gengivas,
Os ossos se desenvolviam, ouvia-se o rumor do sêmen
Dentro da glândula sagrada, o sangue abençoava o coração,
E os quatro ventos, que sopravam como um só,
Irradiavam a luz do som em meus ouvidos,
Despertando os meus olhos para o som da luz.
E amarela era a areia que se multiplicava,
Cada grão dourado dava vida ao que lhe estava ao lado
Verde era a casa que cantava.

A ameixa colhida por minha mãe amadureceu lentamente,
O menino que ela fizera emergir das trevas
Crescia forte ao seu lado no regaço da luz.
Era musculoso, carnudo, atento às coxas que gemiam
E à voz que, como a voz da fome,
Comichava no rumor do vento e do sol.

E aprendi, com a primeira fraqueza da carne,
A linguagem do homem, a retorcer as formas do pensamento
No pedregoso idioma do cérebro, a obscurecer
E novamente urdir a trama das palavras
Legadas pelo morto que, em seu alqueire sem luar,
Não carecia de nenhum calor verbal.
A raiz das línguas se extingue num câncer estiolado,
Que é apenas um nome sobre o qual os vermes fazem um xis.

Aprendi os verbos da vontade, e tinha um segredo;
O código da noite se imprimira em minha língua;
O que fora um só eram muitos a ecoar no espírito.

Um só útero, um só espírito, expeliram a matéria,
Um único seio amamentou o fruto da febre;
Conheci a outra face do céu que se divorcia,
O planeta bilobado que girava em uma órbita;
Milhões de espíritos nutriam uma semente,
Como aquela que bifurca o meu olhar;
A juventude se abreviava, as lágrimas da primavera
Se dissolviam no verão e em centenas de estações;
Um único sol, um só maná, aqueciam e alimentavam.

Dylan Thomas

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

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O lobo-guará é manso
foge diante de qualquer ameaça
é solitário
avesso ao dia, tímido

detesta as cidades
onde quase sempre é atropelado
onívoro, com mandíbulas fracas
come pássaros, ratos, ovos, frutas

às vezes, quando está perdido,
vasculha latas de lixo nas ruas
engasga ao mastigar garrafas
de plástico ou isopores

se corta ou morre ao morder
lâmpadas fluorescentes
ou engolir fios elétricos
morre ao lamber inseticidas

ou restos de tinta
ou ao engolir remédios vencidos
ou seringas e agulhas
descartáveis



dócil, sem astúcia,
é facilmente capturado e morto
por traficantes de pele
quando então uiva!

Poema: Régis Bonvicino
Imagem retirada do Google

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domingo, 8 de agosto de 2010

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Tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete de flores
a concebê-las.

José Gomes Ferreira
Arte: Claude Monet

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

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E se você dormisse? E se você sonhasse?
E se, em teu sonho, você fosse ao paraíso
e lá colhesse uma flor bela e estranha?
E se, ao despertar, você tivesse a flor
entre as mãos? Ah, e então?

Samuel Taylor Coleridge
Fotografia: Kakhabad

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

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É quando resistes que conhece o que te move. E, para a folha
entregue ao vento, deixa de haver vento, da mesma maneira que
para a pedra liberta deixa de haver peso.

Saint Exupéry

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

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E doidamente me apodero
dos desvãos de mim,
meus desvarios me sufocam
de tanta beleza.



Eu sou antes,
eu sou quase,
eu sou nunca.

Clarice Lispector
Arte: Jorge Alio

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

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A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo
cintila.



O que pode uma boca
esperar
senão outra boca?

Poema: Eugénio de Andrade
Arte: Edvard Munch

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sábado, 24 de julho de 2010

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Quase sem querer nascí
Quase sem querer crescí
Quase sem querer
te conheci.
Gostei de tua risada fresca,
criança crescida
e tua maneira de olhar.
Foi dificil respirar,
comecei a tremer
e quase sem querer
te beijei.
Quase sem querer
me rio
Quase sem querer
sinto a tua falta.
Quase sem querer
me apaixonei
Deste urso carinhoso,
criança crescida
que sem querer também
me amou.
E me enche de carícias
sem a obrigação
de prometer-me
eterno amor.
Quase sem querer
se esquece.
Quase sem querer
se perde.
Quase sem querer
se vai o amor.
Por isso te estou querendo
quase sem querer.
Jurar-te eterno amor, não sei.
Talvez
algum dia
nos surpreenda a velhice
muito juntos,
quase sem querer.

Poema: Marilina Ross
Arte: Marc Chagall

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

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a trepadeira

cresceu
espalhou-se
pulou o muro

foi mostrar a flor
pra deus e o mundo

[Líria]

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

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Tem girassóis amarelos
o meu quadrado de sol.



A vida espancada passa
mas no quadrado de sol
aberto sobre o jardim
o girassóis amarelos
velhos
mostram o fim.

Poema: Luandino Vieira
Obra: Van Gogh

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terça-feira, 20 de julho de 2010

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Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir para parar.
Aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.

Poema: Chacal
Arte: Renoir

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segunda-feira, 19 de julho de 2010

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Lutareis contra os apegos do homem aos bens materiais. Se
quiserdes fundar o homem no filho do homem, ensinai-lhe em
primeiro lugar a troca porque, fora da troca, nada mais há do
que endurecimento.
Ensinareis a meditação e a oração, porque tornam a alma mais
vasta. E o exercício do amor. Porque o que é que o haveria de
substituir? E o amor de nós próprios é o contrário do amor.
Castigareis em primeiro lugar a mentira e a delação, que
realmente podem servir ao homem e na aparência à cidade. Mas
só a fidelidade cria os fortes. Porque não há fidelidade num
campo e não num outro. Quem é fiel é sempre fiel. E está muito
longe de ser fiel aquele que é capaz de trair o companheiro de
trabalho. Eu tenho necessidade de uma cidade forte, e Deus me
livre de apoiar a força dela no apodrecimento dos homens.
Pregareis o gosto da perfeição, porque toda obra é uma marcha
para Deus e só na morte pode acabar.

Saint Exupéry, Cidadela.

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sexta-feira, 16 de julho de 2010

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Quando eu penso que você se foi,
Negra sombra que me asombra.
óh pé dos meus cabelos,
Voltas fazendo-me chacota.

Quando eu imagino que você se foi,
no mesmo sol que te mostra a mim,
E és a estrela que brilha,
E és o vento que zumbe.

Se cantam, és tu que canta,
Se choram, és tu que chora,
e és o murmúrio do rio
e és a noite e a auróra.

Em tudo estás e tudo és,
para mim e minhas amoras,
não me abandonarás nunca,
sombra que sempre me asombra.

Poema: Rosália de Castro
Imagem retirada do Google

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

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Mar adentro, mar adentro
e nesse fundo onde não há mais peso,
onde se realizam os sonhos,
se juntam as vontades
para cumprir um desejo.

Um beijo acende a vida
com um relâmpago e um trovão,
e em uma metamorfose
meu corpo já não é mais meu corpo
é como penetrar o centro do universo

O abraço mais pueril
e o mais puro dos beijos,
até vermo-nos reduzidos
a um único desejo:

Seu olhar e meu olhar
como um eco se repetindo, sem palavras:
mais adentro, mais adentro,
até mais além de todo o resto
pelo sangue e pelos ossos

Mas me desperto sempre
e sempre quero estar morto
para seguir com minha boca
enredada em teus cabelos

Ramón Sampedro

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domingo, 11 de julho de 2010

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Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!



Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

Poema: Alexandre O'neill
Arte: Cândido Portinari

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sexta-feira, 9 de julho de 2010

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Eu ontem comecei a ir. Fui belo como convém.
Em se tratando de ir,
Vai-se muito mais que vem.





Caminhar é meu enredo.
Vou indo, mesmo com medo.
O próprio medo me obriga.


Poema: Carlos Augusto Cacá
Arte: August Macke


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segunda-feira, 5 de julho de 2010

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A luz aflora onde nenhum sol brilha;
Onde nenhum mar se move, as águas do coração
Impelem suas marés; (...)

A aurora emerge atrás dos olhos;
Dos pólos do crânio e dos dedos dos pés, o sangue tempestuoso
Desliza como as ondas do mar;
Sem arrimo ou amurrada, os poços do céu
Jorram até as bordas,
Prenunciando num sorriso o óleo das lágrimas.

A luz aflora em lugares recônditos,
Nos píncaros do pensamento onde seu aroma flutua sob a chuva;
Quando a lógica se extingue,
O segredo da terra germina através dos olhos,
E o sangue salta sobre o sol;
A aurora se detém sobre os campos desolados.

Dylan Thomas

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Síl do blog Construindo minha colcha de retalhos fez essa linda postagem dedicada a mim.

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domingo, 4 de julho de 2010

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Meu coração é uma máquina de escrever



É só você bater pra entrar na minha história.

Trecho:(Kovak e Capucho)
Imagem Retirada do Google

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- Pronto, pode abrir os olhos!



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Imagem retirada do Google.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

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E há momentos nos quais você se sente muito sábia, superando a
idade. Toma sol nas pedras, a água bate nos seus pés quando
subitamente uma menina bochechuda sardenta com uns dez anos
se aproxima, levando na mão algo invisível, mas evidentemente
precioso.



"Você sabe", ela perguntou sem rodeios, "se a estrela-do-mar prefere
água quente ou fria?"

Diário de Sylvia Plath
Fotografia: Rita Carmo Martins

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terça-feira, 29 de junho de 2010



Se me volto para as estrelas, não tenho pena do mar. Penso estrelas.

Saint Exupéry
Fotografia: Luciinka

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Uma Curiosidade

Poucos sabem que aquela introdução instrumental
do Hino Nacional Brasileiro tinha uma letra, mas
fora tirada da versão oficial.
Eis a letra, ouçam o video.



Espera o Brasil
Que todos cumprais
Com o vosso dever.
Eia avante, brasileiros,
Sempre avante!

Gravai com buril
Nos pátrios anais
Do vosso poder.
Eia avante, brasileiros,
Sempre avante!

Servi o Brasil
Sem esmorecer,
Com ânimo audaz
Cumpri o dever,
Na guerra e na paz,
À sombra da lei,
À brisa gentil
O lábaro erguei
Do belo Brasil.
Eia sus, oh sus!

Letra: Américo de Moura

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sábado, 26 de junho de 2010

Não devemos parar de investigar,
e o fim de toda nossa investigação
será chegar ao ponto de partida,
e conhecer o lugar pela primeira vez.

T.S.Elliot

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Diálogo V

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Ela: A verdade começa a dois.

Ele: Então, vamos ser dois?

Ela: Vamos encontrar a nossa verdade.

Ele: Onde está a nossa verdade?

Ela: A dois.

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Leo&Marie
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Desejamos ser compreendidos, porque desejamos ser amados,
e desejamos ser amados porque amamos.

Trecho: Marcel Proust
Imagem: Auguste Macke

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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tinha eu quinze anos quando recebi a primeira lição:
já há vários dias que um irmão era dado como perdido.
Certa manhã, seriam umas quatro horas, a enfermeira
dele me acorda.

- O seu irmão te chama.
- Ele está mal?

Não obtenho resposta. Visto-me a toda pressa e apareço
junto dele. É com a voz de todos os dias que me fala:

- Gostaria de falar contigo antes de morrer. Eu vou morrer.

Uma crise nervosa crispa-o todo e obriga-o a calar-se.
Durante a crise diz que "não" com a mão. Não consigo
compreender o gesto. Imagino que a pobre criança se
recusa a aceitar a morte. Mas, quando a calma sobrevém,
explica-me:

- Não tenhas medo... Não sofro, não tenho dores, mas não
posso impedir, é meu corpo.

Não morremos, imaginamos temer a morte, tememos o inesperado,
a explosão, tememos a nós mesmos. A morte? Não, não há mais
morte quando a encontramos. O meu irmão disse-me:v"Não te
esqueças de escrever tudo isto..." Quando o corpo se desfaz,
o essencial aparece. O homem não passa de um entrelaçado de
relações. Só as relações contam para o homem.

(Saint Exupéry)

sexta-feira, 18 de junho de 2010



Então deixe o sol brilhar
Encare o mal com um sorriso
Sorridentes nunca perdem
E rostos fechados nunca vencem
deixe o sol brilhar
Encare-o com um sorriso
Abra seu coração e deixe o sol brilhar

Música: Frente!
Imagem retirada do Google

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Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais.

José Saramago (16.11.1922 - 18.06.2010)
Fotografia: Kakhabad

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Porque o pássaro do prazer assobia sobre os ardentes fios elétricos,
Será mais doce o canto de um cavalo cego?

Dylan Thomas

terça-feira, 15 de junho de 2010

Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.



Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

Poesia: Luís F. Veríssimo
Fotografia: Kakhabad

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domingo, 13 de junho de 2010

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Gosto de que o rosto jovem esteja ameaçado de envelhecer e que uma palavra minha possa facilmente mudar em lágrimas um sorriso.

Texto: Saint Exupéry
Arte: Amedeo Modigliani

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sexta-feira, 11 de junho de 2010



- Como é complexo e intrincado o funcionamento
do sistema nervoso. A vibração elétrica do telefone
transmite um impulso de expectativa ao longo da
parede uterina; o som da voz dele, rude, impetuosa
e íntima através do fio, contrai o trato intestinal.
Se substituíssem a palavra "Amor" por "Ardor" nas
canções populares elas se aproximariam mais da verdade.

Texto: Sylvia Plath
Arte: Ernst L. Kirchner

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

A esfera desce
do espaço
veloz
ele a apara
no peito
e a para
no ar



A esfera
espera
o chute que
num relâmpago
a dispara
na direção
do nosso
coração.

Poesia: Ferreira Gullar
Ilustração: José Sazagoza

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segunda-feira, 7 de junho de 2010



Disse Jesus: "O dia não tem doze horas?
Quem anda de dia não tropeça, pois vê a
luz deste mundo. Quando anda de noite,
tropeça, pois nele não há luz".

Ev. João. Cap: XI Verso: IX
Imagem: Akiane Kramarik

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domingo, 6 de junho de 2010

A melhor parte de nossa memória está fora de nós,
numa brisa chuvosa, num cheiro de quarto fechado,
ou no odor de uma labareda, em toda parte onde
encontramos de nós mesmos o que nossa inteligência
rejeitara, por julgá-lo inútil, a última reserva do
passado, a melhor, aquela que, quando todas as nossas
lágrimas parecem ter secado, sabe nos fazer chorar ainda.
[...]



Em plena luz da memória habitual, as imagens
do passado empalidecem aos poucos, vão se apagando,
não resta mais nada delas, não as encontramos nunca mais.

Texto: Marcel Proust
Obra: Salvador Dalí

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sexta-feira, 4 de junho de 2010



O céu é o lar dos corações
E o céu não te destrói.(...)
Sim, o céu é o lar de nossos corações
E o céu não te destrói.

O céu pode te levar pra cima, te animar,
levar você até o lugar
onde você vai encontrar a paz.
Paz em seu coração,
Você não tem que sofrer...

Letra: Psychedelic Furs
Fotografia: Jena Chan

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terça-feira, 1 de junho de 2010

A cor é o aroma em corpo e embriaga pelo olhar.
Cor é soluço, cor é gargalhada,
cor é lamento, é suspiro,
e grito de alma desesperada!



Olhar a cor
é ouvi-la,
numa expressão tranquila,
falar de todas as sensações
caladas, dos corações.

Poema: Gilka Machado
Imagem: Jasper Johns

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Fica sabendo que não é em vão que eu amo o que se acha ameaçado.
Não é de deplorar que as coisas preciosas o estejam. Eu encontro
precisamente nisso uma condição da sua qualidade. Eu amo o amigo
fiel nas tentações. Se não houvesse tentação, não haveria fidelidade,
não teria eu amigos. E eu aceito que alguns caiam, para das valor aos outros.

Saint Exupéry

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sábado, 29 de maio de 2010

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Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas
depois vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas



E perdidos no azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul: azul.

Poema: Carlos Pena Filho
Ilustração: Marc Chagall

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quem não sonha o azul do voô
perde seu poder de pássaro.



É sonhar, mas cavalgando
o sonho e inventando o chão
para o sonho florescer.

Poema: Thiago de Mello
Ilustração René Magritte

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terça-feira, 25 de maio de 2010




Há tanta dor nesse jogo de procurar um parceiro, de testar,
tentar. E a gente se dá conta subitamente de ter esquecido
que era só um jogo, e vai embora chorando. -

Texto: Sylvia Plath
Ilustração por: Adelle Maedchen

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domingo, 23 de maio de 2010

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Ligados aos nossos irmãos por um bem comum que se situa fora de nós, só então respiramos. A experiência mostra que amar não é olhar um para o outro, mas olhar
juntos na mesma direção. Só há companheiros quando homens se unem na mesma escalada
para o mesmo pico, onde se encontram.

Saint Exupéry

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança,
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.



Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança,
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

Camões
Imagem: Dalí

quarta-feira, 19 de maio de 2010




- Sim, fiquei enlevada com você, ainda estou. Ninguém jamais despertou tamanha intensidade de sensação física em mim. Afastei-o, pois não suportaria ser um capricho passageiro. Antes de entregar meu corpo, preciso entregar meus pensamentos, minha mente, meus sonhos. E você não queria saber de nada disso. -

Foto e texto: Sylvia plath
Nunca dês ouvidos àqueles que, no desejo de te servir, te aconselham a renunciar a uma das tuas aspirações. Tu bem sabes qual é a tua vocação, pois a sentes exercer pressão sobre ti. E, se a atraiçoas, é a ti que te desfiguras. Mas fica sabendo que a tua verdade se fará lentamente, pois ela é nascimento de árvore e não descoberta de uma fórmula. O tempo é que desempenha papel mais importante, porque se trata de te tornares outro e de subires uma montanha difícil. Porque o ser novo, que é unidade libertada no meio da confusão das coisas, não se te impõe como a solução de um enigma, mas como um apaziguamento de litígios e uma cura de ferimentos. E só virás a conhecer o seu poder, uma vez que ele se tiver realizado. Nada me pareceu tão útil ao homem como o silêncio e a lentidão. Por isso os tenho honrado sempre como deuses por demais esquecidos.

Saint Exupéry

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sábado, 15 de maio de 2010

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Só há um templo no mundo e é o corpo humano.
Nada é mais sagrado que esta forma sublime.



Inclinar-se diante de um homem é fazer homenagem
a esta revelação na carne. Toca-se o céu quando
se toca um corpo humano.

Friedrich Novalis
Arte: Michelangelo

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quarta-feira, 12 de maio de 2010



Ainda que os amantes se percam, o amor persistirá;
E a morte não terá nenhum domínio.

Poema: Dylan Thomas
Imagem: Paul Klee

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