Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol...


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Eu sempre olho o mundo através de você
é por isso que devo vê-lo de uma forma bonita
há dias que uma multidão toda grita,
mas seria fácil reconhecer sua voz dentre todas elas
.
Eu sempre olho o mundo através de você
não há dias nebulosos e nem chuva inesperada;
desculpe se você tem sido meus olhos,
mas só assim pude embelezar a tristeza e descobrir a poesia
.
Eu sempre olho o mundo através de você
desde aquele dia que um anjo traduziu o bater de meu coração
ao menos lá fora é uma tela ainda com tinta fresca
cheirando a lírios recém colhidos em boa época
.
Eu sempre olho o mundo através de você
bem mais que a visão, me permites os sentidos todos
enquanto permaneces sentado nesse banco dourado de primavera
a realidade parece um sonho que posso tocar acordada
.
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Cáh Morandi

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

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essa mania de focos
melhor fossem
f
lo
c
O
s.

(Sylvia Cyntrão)

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sou daquelas almas que as mulheres dizem que amam, e nunca reconhecem quando encontram; daquelas que, se elas as reconhecem mesmo assim não as reconheceriam. Sofro a delicadeza dos meus sentimentos com uma atenção desdenhosa. Tenho todas as qualidades, pelas quais são admirados os poetas românticos, mesmo aquela falta dessas qualidades, pela qual se é realmente poeta romântico. Encontro-me descrito, (em parte), em vários romances como protagonista de vários enrdos; mas o essencial da minha vida, como da minha alma, é não ser nunca protagonista.

(Bernardo Soares)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009




Pude bem cedo conhecer melhor aquela flor. Sempre houvera,
no planeta do pequeno príncipe, flores muito simples, ornadas
de uma só fileira de pétalas, e que não ocupavam lugar nem
incomodavam ninguém. Apareciam certa manhã na relva, e já
à tarde se extinguiam. Mas aquela brotara um dia de um grão
trazido não se sabe de onde, e o principezinho vigiara de perto
o pequeno broto, tão diferente dos outros.

Saint Exupéry, O Pequeno Princípe.

*

domingo, 1 de novembro de 2009

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Quando você perdoa,
você ama.
E quando você ama,
a luz de Deus brilha
em você.

(Na Natureza Selvagem)

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domingo, 18 de outubro de 2009

Também os homens podem prometer, porque na promessa há algo imortal.
- Jorge Luis Borges

domingo, 11 de outubro de 2009


caixinha de música

bailarina
rodopia
na caixinha
de brinquedo

tenho medo
que ela fique
tonta de
tanto rodar

bailarina
pequenina
vem me conta
o teu segredo

como fazes
que não cansas
de tanto
rodopiar

(Gerusa Leal)

Em barquinhos de papel
podemos navegar
pra qualquer lugar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Cada um está só no coração da terra
trespassado por um raio de sol:
e de repente é noite.
...

Salvatore Quasimodo (1901-68)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

video

Avant la Haine

Saiba, que os amores
Os mais brilhantes se sujam
O sol sujo do dia a dia
Submetem-lhes ao suplício

Tive uma idéia inadequada
Para evitar o insuportável

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Vamos terminar, por favor

Não, eu te beijo e isso passa
Você sabe bem
Não se livre de mim assim

Você acredita que vai se sair bem dessa
Me abandonando ao léu
Do grande amor que deve morrer
Mas você sabe que eu prefiro
As tempestades do inevitável
À sua pequena idéia destrutiva

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Você diz para terminarmos

Mas eu te beijo e isso passa
Eu sei bem
Não me livro de você assim

Eu poderia evitar o pior
Mas o melhor está por vir

(Romain Duris/Joanna Preiss)

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domingo, 20 de setembro de 2009






*
Se existissem, que colheríamos das árvores coração?
*

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

*

Quando a figueira brotar, o verão está próximo.

Ev. Mateus.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

_ se virmos um muro, podemos transformá-lo
com poesia, arte e coração.
.
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Gracias a Be* que enviou texto e foto.
moras no meu coração.

segunda-feira, 20 de julho de 2009


Muro

não lembro ao certo
quando o muro foi erguido.

foi surgindo aos poucos,
uma palavra áspera aqui,
um descaso acolá
e quando percebemos,
estava pronto.

e desde então,
tem nos dividido ao meio.

Ademir Antonio Bacca

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sábado, 11 de julho de 2009

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Fora, cai a chuva.
Dentro, os amantes desejam
que ela nunca acabe.

(Manuel Filipe)

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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mude

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Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas
com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.

Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos,
novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado, o novo método,
o novo sabor, o novo jeito,
o novo prazer, o novo amor.
a nova vida.
Tente.

Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...

tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito, cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira,
de malas, troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente esses
horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.

Lembre-se de que a
Vida é uma só.

E pense seriamente
em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.

Se você não encontrar
razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer
uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá
coisas melhores e coisas piores
do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!

Edson Marques.

.
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terça-feira, 23 de junho de 2009


Quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa que vou partir.
Esperam-me prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir.

Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva - nimbos e cerros -
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.

Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
Trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Para onde tendem as catedrais.

Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores.
Tenho a loucura, sei o caminho,
Mas como posso partir sózinho
Sem um cavalo de várias cores?

Reinaldo Ferreira

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Céu de estrelas.
Estrelas!
Por que, tão densamente,
descrevê-las?
Karen Debértolis

domingo, 17 de maio de 2009



Cores

Teu azul,
Muito mais azul que o meu,
Sem pedir licença,
Entrou por minha janela branca
E azulou
Toda minha sala


Mas teu azul
Em nada combina
Com meus móveis vermelhos
Então eis a dúvida:
Pintar as paredes ou trocar meus móveis?
(Renata Pereira)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Poema das Árvores


As árvores crescem sós.
E a sós florescem.

Começam por ser nada.
Pouco a poucose levantam do chão,
se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos,
e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas,
e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas,
vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores,
e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós,
a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem,
sem falarem.

Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se,
trespassam-se,fazem amor e ódio,
e vão à vida como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.

Não pensam, não suspiram,
não se queixam.

Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós,
sempre sós.

Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.
Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.

António Gedeão

quarta-feira, 4 de março de 2009

Quanto tempo?
Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas?
Quanto?

Quando penso nisso
como me bate o coração.
Meu país é vida
Quanto tempo ainda?
Quanto?

Eu amo tanto o tempo que me resta.
Quero rir, correr, chorar, falar,
e ver e crer, e beber, dançar,
gritar, comer, nadar,
saltar, desobedecer.

Eu não acabei, eu não acabei.
Voar, cantar, partir,
voltar a partir.
Sofrer, amar, eu amo tanto
o tempo que me resta.

Já não sei mais onde
nasci, nem quando.
Sei que não foi há muito
tempo...e que meu país é a vida.

Eu também sei que meu pai dizia...
"O tempo é como o seu pão,
guarde um pouco para amanhã".
Ainda tenho o pão,
ainda tenho tempo, mas, quanto?

Quero brincar ainda,
Quero rir às gargalhadas.
Quero chorar rios de lágrimas.
Quero beber barcos inteiros de
vinho, de Bordeaux e da Itália
Quero dançar, gritar, voar,
nadar em todos os oceanos.

Eu não acabei, eu não acabei.
Quero cantar,
Quero falar até ficar sem voz.
Eu amo tanto o tempo que me resta.
Quanto tempo?
Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas, quanto?

Quero as histórias, as viagens.
Tenho tanta gente a ver,
tantas imagens,
de crianças, de mulheres,
de grandes homens,
de pequenos homens,
engraçados, tristes,
muito inteligentes, bobos.

Que engraçado,
os bobos me rodeiam,
como as folhas entre as rosas.
Quanto tempo?
Quanto tempo ainda?
Anos, dias, horas, quanto?

não me importo, meu amor.
Quando a orquestra parar,
continuarei dançando,
Quando os aviões não mais
voarem, eu voarei sozinho.
Quando o tempo parar,
Eu a amarei ainda.
Eu não sei onde,
Eu não sei como,
mas eu ainda a amarei.
Está bem?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009



ESPELHO
Sou prata e exato. Eu não prejulgo.
O que vejo engulo de imediato
Tal qual é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, tão somente veraz —
O olho de um deusinho, de quatro cantos.
O tempo todo reflito sobre a parede em frente.
É rosa, com manchas. Fitei-a tanto
Que a sinto parte de meu coração. Mas vacila.
Faces e escuridão insistem em nos separar.

Agora sou um lago. Uma mulher se inclina para mim,
Buscando em domínios meus o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o lustre e a lua.
Vejo suas costas e as reflito fielmente.
Ela me paga em choro e agitação de mãos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã sua face reveza com a escuridão.
Em mim afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrendo.
(Sylvia Plath)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009






Só-corro.

Socorro.

Corro-só.

sábado, 31 de janeiro de 2009








Ser como uma árvore na paisagem,
Existir, existir sem sofrimento.
Buscar na placidez o alimento,
Tornar menos pesada a minha imagem.
Estar, mas num estar que é viagem.
Iluminar o sol, esporear o vento,
deixar adormecer o pensamento,
Não haver marcas da minha passagem.
Esboroar-me na terra humilde e fria
Sem o suor negro da melancolia
A orlar-me a testa, a inundar-me os nervos.
Poeta que não sou, vida que não tive
Permiti que o sono que em mim vive
Se torne o mais humilde dos meus servos.
Jorge Viegas
Imagem retirada do Google.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Antes da chuva, depois do sol.



Havia um tempo,
Em que chovia fora e dentro.

Hoje chove lá fora,
Aqui dentro o sol brilha forte,
E, mesmo que nuvens o encubram...
Ele permanece lá.

Brilhando,

Cantando,

Sorrindo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009


De alguma forma, eu sei demais; e desse conhecimento,
depois que se foi contaminado, parece não haver recuperação.
Coetze, À espera dos Bárbaros.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Há um vencedor e um vencido. O vencedor, às vezes,
veste-se de um sorriso malicioso para humilhar o vencido,
porque os homens são assim.

Saint Exupéry, Cidadela.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009


Porque, tal como acontece com a árvore, não podes saber seja o que for do homem se o desdobras pela sua duração e o distribuis pelas suas diferenças. A árvore não é semente, depois caule, depois tronco flexível, depois madeira morta. Para a conhecer, é bom não a dividir. A árvore é essa força que desposa a pouco e pouco o céu. É o que acontece contigo, meu rapaz. Deus faz-te nascer, faz-te crescer, enche-te sucessivamente de desejos, de pesares, de alegrias e de sofrimentos, de cóleras e de perdões, até que te faz ingressar de novo n’Ele. E, no entanto, tu nem és aquele estudante, nem aquele esposo, nem aquela criança, nem aquele velho. Tu és aquele que se cumpre. E, se sabes ver em ti um ramo que balança, bem pegado à oliveira, nos teus movimentos hás de gozar da eternidade. E tudo à tua volta se tornará eterno. Eterna a fonte que canta e soube matar a sede de teus pais, eterna a luz dos olhos quando a bem-amada te sorrir, eterno o frescor das noites. O tempo deixa de ser uma ampulheta que vai gastando a areia, e faz lembrar um ceifeiro que ata a sua gavela.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Quando pensamos no futuro

Todo espírito preocupado com o futuro é infeliz. O mais corriqueiro dos erros humanos é o futuro. Ele falseia a nossa imaginação, ainda que ignoremos totalmente onde nos leva.

Quando pensamos no futuro, nunca estamos em nós. Estamos sempre além. O medo, o desejo, a esperança jogam-nos sempre para o futuro, sonegando-nos o sentimento e o exame do que é, para distrair-nos com o que será, embora o tempo passe e já não sejamos mais.

Montaigne


Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
Saint Exupéry," O Pequeno Princípe."