Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol...


quarta-feira, 14 de julho de 2010

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Mar adentro, mar adentro
e nesse fundo onde não há mais peso,
onde se realizam os sonhos,
se juntam as vontades
para cumprir um desejo.

Um beijo acende a vida
com um relâmpago e um trovão,
e em uma metamorfose
meu corpo já não é mais meu corpo
é como penetrar o centro do universo

O abraço mais pueril
e o mais puro dos beijos,
até vermo-nos reduzidos
a um único desejo:

Seu olhar e meu olhar
como um eco se repetindo, sem palavras:
mais adentro, mais adentro,
até mais além de todo o resto
pelo sangue e pelos ossos

Mas me desperto sempre
e sempre quero estar morto
para seguir com minha boca
enredada em teus cabelos

Ramón Sampedro

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14 comentários:

Leo disse...

Ramón Sampedro nasceu a 15 de Janeiro de 1943 em Xuño, uma pequena aldeia da província de La Coruña. Aos 22 anos embarcou num navio mercante norueguês no qual trabalhou como mecânico. Com ele percorreu quarenta e nove portos de todo o mundo. Esta experiência constituiu parte das suas melhores recordações. A 23 de Agosto de 1968 caiu à água do alto de um rochedo. A maré tinha baixado. O choque da cabeça contra a areia provocou a fractura da sétima vértebra cervical. Durante trinta anos viveu a sua tetraplegia sonhando com a liberdade através da morte. O seu pedido jurídico chegou ao Tribunal dos Direitos Humanos de Estrasburgo sem êxito. Nos meios de comunicação reivindicou o direito a uma morte digna e em Janeiro de 1998, em segredo e provavelmente ajudado por mão amiga, conseguiu o seu intento.

Indicação: um livro 'cartas do inferno' com poemas de Ramón.

Um filme: 'Mar adentro'

Camila Chaves disse...

Nossa, Leo! É assustadora mesmo a ideia de estar preso. Talvez pior ainda a ideia de estar preso a um corpo imóvel! Tomara que ele tenha sido feliz depois de escapar da tal reclusão!

Mil beijos, amigo

Naia Mello disse...

Me senti como se estivesse presa. A algo. Um olhar talvez. Mas algo bem mais intenso.
bjão.

Lia Araújo disse...

Nossa.... me sinto assim
Acorrentada... e o pior, eu que forjei as correntes


bjos querido!
p.s tô sem net, mas, tentando dá um pulinho nos blogs amigos

bjos

Tatiane Lemos disse...

nossa que lindo, com amor já ñ somos nós*

Denise Portes disse...

Triste essa história e lindo poema.
Beijo
Denise

Sil.. disse...

Olhaaaaaaaa a sintoniaaa leo.
Vc me escrevendo, e eu estava aqui te lendo!

Lindoooooo aqui.

E olha...me encontrei nesse texto..mas ainda não consigo quebrar as correntes.
Me sinto presa.

Te abraçoooooooo forte!

Ana SS disse...

Gostei daqui também, Leo.
Seguindo-te.
Obrigada pela visita ao Significamtes!

ErikaH Azzevedo disse...

Ô Léo...seráque sou só eu a sentir esse poema como um poema a falar de amor....e a falar de vida consumida (morte) ele fala é da intensidade de vida, do ultimo instante de vida, que deve ser o maior e mais absoluto de todos....ele metaforiza...ou será que tô eu aqui viajando demais.

Não falo do que vc escreveu aqui, mas do poema em si, ele sozinho.

Um beijo ao menino lindo ....mar de sensibilidade que tenho adorado mergulhar.

Erikah

Déia disse...

" Seu olhar e meu olhar
como um eco se repetindo, sem palavras"

Ui.. que intenso!

amei!

bj

Grafite disse...

"...e nesse fundo onde não há mais peso,
onde se realizam os sonhos,
se juntam as vontades
para cumprir um desejo."

muito bom!
Parabéns...

beiijo,
*.*

Alice disse...

'Um beijo acende a vida'.

A historia e o poema sao de tirar o folego.

Triste, mas muito lindo.

Te abraço com carinho.

Naty Araújo disse...

NOoooooooossa... Adorei.

Meu beijo, Leo.. cadê?

Tatá disse...

tão lindo o teu blog (: