segunda-feira, 31 de maio de 2010
Não é de deplorar que as coisas preciosas o estejam. Eu encontro
precisamente nisso uma condição da sua qualidade. Eu amo o amigo
fiel nas tentações. Se não houvesse tentação, não haveria fidelidade,
não teria eu amigos. E eu aceito que alguns caiam, para das valor aos outros.
Saint Exupéry
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sábado, 29 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010

- Sim, fiquei enlevada com você, ainda estou. Ninguém jamais despertou tamanha intensidade de sensação física em mim. Afastei-o, pois não suportaria ser um capricho passageiro. Antes de entregar meu corpo, preciso entregar meus pensamentos, minha mente, meus sonhos. E você não queria saber de nada disso. -
Foto e texto: Sylvia plath
Saint Exupéry
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sábado, 15 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010

Tornar-me-ei cada vez mais tão pequeno,
Até ser o menor sobre a terra.
Num amanhecer de primavera, no jardim.
Estenderei a mão para uma florzinha,
Contra ela esconderei meu rosto.
E murmurarei: Tu, minha criancinha,
Tu que não tens vestido nem sapato,
é sobre ti Que o céu apóia sua mão,
sobre tua gota De orvalho irradiante,
e és tu que preservas
Do desmoronamento
Seu edifício gigantesco.
Jirf Wolker
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sábado, 8 de maio de 2010
Saint Exupéry
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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Em cada pessoa há milhões de galáxias,
Um infinito particular, um mundo de descobertas.
Milhares de sentimentos e emoções
Despertados através de fortes impactos.
Diversos rostos, formas e cores, procurando:
Descobrir na escuridão o brilho estelar,
Encontrar abrigo em um olhar, em uma palavra
E sair valsando pelo universo, guiando cometas...
Juliana Lira & Leo
terça-feira, 4 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010

Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo pra mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
Saint Exupéry
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quarta-feira, 28 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Diálogo IV
Ela: Te olho.
Ele: O que vês?
Ela: Só ouço.
Ele: O meu chamar?
Ela: Sim!
Ele: Vem habitar em mim.
Ela: Morrer em ti, cair em suas profundezas.
Ele: Verás a minha beleza.
Ela: Assim é o meu desejo, voar para enfim cair em seus braços que me abraçarão num amor mortal.
Ele: Esse amor mortal, em nossos braços e abraços, um laço imortal é.
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Leo&Marie
sábado, 24 de abril de 2010
Ninguém pode criar velhos companheiros. Nada vale o tesouro
de tantas recordações comuns, de tantas horas más vividas
juntos, de tantas desavenças, de tantas reconciliações, de
tantos impulsos afetivos.
Não se reconstroem essas amizades. Seria inútil plantar um
carvalho na esperança de ter, em breve, o abrigo em suas folhas.
Assim vai a vida. A principio, enriquecemos; plantamos durante
anos, mas os anos chegam em que o tempo destrói esse trabalho,
arranca essas arvores. Um a um, os companheiros nos retiram sua
sombra. E aos nossos lutos mistura-se então a magoa secreta de
envelhecer.
Saint Exupéry
sexta-feira, 23 de abril de 2010

- Cativa-me, disse a raposa.
- Que quer dizer cativar? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
Saint Exupéry
quinta-feira, 22 de abril de 2010
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Ouse, ouse... ouse tudo!!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!!
Lou Andreas Salomé
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
Argumentum Ornithologicum
Eu fecho os olhos e vejo um bando de pássaros.
A visão dura um segundo ou talvez menos; não sei
quantos pássaros vi. Era definido ou indefinido o
seu número? O problema envolve o da existência de
Deus. Se Deus existe, o número é definido, porque
Deus sabe quantos pássaros eu vi. Se Deus não existe,
o número é indefinido, porque ninguém pode fazer a
conta. Eu tenho certeza de que vi menos de dez
pássaros e mais de um, mas não vi nove, oito, sete,
seis, cinco, quatro, três ou dois pássaros. Eu vi um
número entre dez e um, que não é nove, oito, sete,
seis, etc. Esse número é inconcebível, mas é inteiro;
Minha opinião ornitológica, Deus existe.
Jorge Luís Borges
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
Lou Andreas Salomé
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terça-feira, 6 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
Sobrevivente
"Sou sobrevivente de um campo de concentração.
Meus olhos viram o que ninguém deveria ter visto.
Câmaras de gás construídas por engenheiros formados.
Crianças envenenadas por médicos diplomados.
Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas.
Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades.
Assim... são muitas as minhas suspeitas sobre a educação.
(Anônimo)
A Outros Que Não A Ti
Tu com tua falsa moeda,
Tu meu amigo, acolá, com ar de vencedor
Que me escondias a mentira quando atrevido devassavas
O meu segredo mais recôndito,
Atraído por faiscantes piscadelas de olho
Até que o doce dente de meu amor mordesse em seco,
Desgastando-se afinal, e eu, já trôpego, sugasse,
Tu, a quem agora imploro que te assumas como ladrão
Na memória esculpida por espelhos,
Com gesto sorridente que jamais se esquece,
Rapidez da mão na luva de veludo
E todo o meu coração sob o teu martelo,
Foste outrora aquela criatura tão franca, tão alegre
Um familiar que nada exigia
Que nunca imaginei fosses fraldar ou crer
Enquanto deslocavas uma verdade no ar,
Pois ainda quando os amei por seus defeitos
Tanto quanto por suas qualidades,
Meus amigos eram inimigos sobre pernas de pau
Com as cabeças ocultas numa nuvem astuciosa.
Dylan Thomas
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segunda-feira, 29 de março de 2010

Dança sobre restos de cristais
deste tempo não tão belo
porque sozinha não estás
Dança sobre antigas cinzas
sobre todas as tuas feridas
sozinha não estás
Se a imagem de teu espelho já não está
será que estás
aprendendo a caminhar?
Dança sobre tua casa, entre a erva
o odor do inverno
sozinha não estás
Dança bela criança, pequena criança
distorções do tempo...
sozinha não estás
Sobre a fumaça que cobriu
a luz de nossa cidade
e ainda que doa
não a podemos modificar
Dança sobre a dor
que a dança à consumirá
Dança sobre a tua rua que dança
sobre esta casa que dança
se não se pode fazer mais...
Dança sobre a desventura
à luz da lua
sobre o campo e o mar
Dança, é caricia, é pudor
dança não é ódio, é amor
é aprender a voar
Se puderes dançar pelo ar
também as estrelas poderão abraçar-te
não sigas agarrada as tuas dores
que não sabem dançar
Dança junto a tua vida que dança
junto a tudo que falta
se não se pode fazer mais...
Dança...
Dança...
Dança...
(Marilina Ross)
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domingo, 28 de março de 2010
Ora, aconteceu que um mercador contratou um dos dois e o associou por algumas semanas à sua caravana. Mas os ladrões de caravanas e depois as voltas que a vida dá e as guerras entre os impérios e as tempestades e os naufrágios e os lutos e as ruínas como uma pipa levada e trazida pelo mar, empurrando-o de jardim para jardim até aos confins do mundo.
Ora, o meu jardineiro, depois de uma velhice em silêncio , recebeu um dia uma carta do amigo. Sabe Deus quantos anos ela tinha navegado. Sabe Deus que diligências, que cavaleiros, que navios, que caravanas, a tinham pouco a pouco encaminhado, com essa mesma obstinação das milhares de ondas do mar, até ao seu jardim. E, nessa manhã, como ele resplandecia de felicidade e a queria partilhar, pediu-me para ler, como se pede pra ler um poema, a carta que tinha recebido. Ficou-se a ler no meu rosto a emoção da leitura. A verdade é que eram só algumas palavras, porque os jardineiros sempre tinham tido mais habilidade ára cavar do que para escrever. Só consegui ler: "Hoje de manhã, podei as minhas roseiras...". Aquilo me fez meditar sobre o essencial, que sempre me pareceu informulável. E meneei também a cabeça, como eles teriam feito.
Daí em diante, nunca mais o meu jardineiro havia de saber o que é o repouso. Poderias tê-lo ouvido informar-se da geografia, dos correios, das caravanas e das guerras entre os impérios. Três anos mais tarde, chegou por acaso o dia de eu mandar qualquer embaixada ao outro lado da terra. Mandei chamar o meu jardineiro: "se quiseres, podes escrever ao teu amigo." As minhas árvores sofreram um pouco com isso e também os legumes da horta e houve festa entre as lagartas, porque ele passava o dia em casa gatafunhando, rasurando, recomeçando a tarefa, tirando a língua de fora como uma criança debruçada sobre o trabalho. Mas descobria qualquer coisa de urgente a dizer, como que sentia a necessidade de se transportar todo ele, na sua verdade, para a casa do amigo. Precisava construir a sua própria ponte sobre o abismo, alcançar a outra parte de si próprio através do espaço e do tempo. Precisava dizer o seu amor. Por fim, todo corado, veio-me submeter à apreciação a sua resposta e perscrutar outra vez ainda no meu rosto um reflexo da alegriaque havia de iluminar o destinatário. O que ele queria era experimentar em mimo poder das suas confidências. Afinal, apenas confiava ao amigo, na sua escrita aplicada e desajeitada, como que uma oração muito convicta, mas de palavras humildes: "Hoje de manhã, também podei as minhas roseiras...". Na verdade, era o mais importante que ele podia dar a conhecer:(...)
Após a leitura, permaneci calado, meditando sobre o essencial, que eu ia compreendendo cada vez melhor. É que eles, sem o saber, estavam afinal a homenagear-te: era em ti, Senhor, que eles vinham a encontrar, para além das roseiras.
Saint Exupéry
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Diálogo III
Ele: Abra sim, eu entro.
Ela: Se vc tivesse aqui, eu nem precisaria ir lá abrir o portão.
Ele: Por que?
Ela: Porque já estaria aberto, pra não perdermos um segundo sequer.
Ele: Talvez a gente se encontre, ainda lá fora, você vindo me abraçar.
Ela: E você vindo me encontrar.
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sexta-feira, 26 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Esta a moral que Mermoz* e tantos outros me ensinaram. A grandeza de uma profissão é talvez, antes de tudo unir os homens; só há um luxo verdadeiro, o das relações humanas.
Trabalhando só pelos bens matérias construímos nós mesmos nossa prisão. Encerramo-nos lá dentro, solitários, com nossa moeda de cinza que não pode ser trocada por coisa alguma que valha a pena viver.
Se procuro entre minhas lembranças as que me deixaram um gosto durável, se faço o balanço das horas que valeram a pena, certamente só encontro aquelas que nenhuma fortuna do mundo teria me presenteado. Não se compra a amizade de um Mermoz, de um companheiro a quem estamos ligados para sempre pelas provas sofridas juntos.
Esta noite de vôo e suas cem mil estrelas, esta serenidade, esta soberania de algumas horas, o dinheiro não compra.
Esta face nova do mundo depois de uma etapa difícil, estas arvores, estas flores, estas mulheres, estes sorrisos docemente coloridos pela vida a que regressamos de madrugada, este mundo de pequenas coisas que nos recompensam, o dinheiro não compra.
(Saint Exupéry)
* Jean Mermoz: Companheiro de Exupéry, foi o criador da aviação postal transoceânica na França, realizou a primeira viagem, levando os primeiros volumes de correspondência - 130 quilos - para a América do Sul. Partiu de Saint-Louis no dia 12 de Maio de 1930 num monomotor Laté 28 com flutuadores e pousou em Natal 21 horas depois. Quando terminou seus estudos, ingressou na aviação como piloto de linha. Foi o primeiro a cruzar nos dois sentidos o Atlântico Sul em 1933, utilizando-se do trimotor "Arc-en-Ciel". Enfim, depois de doze anos de trabalho, sobrevoando mais uma vez o atlântico sul, disse, numa rápida mensagem, que o motor da direita estava falhando. Depois, silêncio.
terça-feira, 23 de março de 2010
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Amor de Tarde
É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são quatro
e termino a planilha e penso 10 minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e faço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras.
É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades.
É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente
e dizer “e aí?” e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono.
(Mário Benedetti 27-09-1920 - 17-05-2009)
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segunda-feira, 22 de março de 2010
AMOR MUDO
Ardendo de amor, as cigarras
cantam: mais belos porém são
os pirilampos, cujo mudo amor
lhes queima o corpo!
(Canções de Camponeses do Japão)
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sábado, 20 de março de 2010
Fiel é uma pessoa, em primeiro lugar, para consigo própria.
Que podes esperar da traição? Os laços que te hão de reger, que
te hão de animar, que te darão sentido e luz levam longo
tempo a atar. Repara nas pedras do templo. Deus me livre de voltar
a espalhá-las todos os dias, na pretensão de obter templos
melhores. Se trocares a propriedade por outra talvez melhor na
aparência, perdeste qualquer coisa tua que nunca mais voltarás
a encontrar. Por que será que te aborreces na casa nova? Se ela é
mais cômoda e corresponde melhor aos teus desejos do que
a outra, tão desprezível!... O poço deixava-te os braços doridos.
para o futuro, o cântico da roldana e a água tirada do ventre da terra,
que cintilava ao sol.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Como sabem as estações do ano que devem trocar de camisa?
Por que são tão lentas no inverno e tão agitadas depois?
E como as raízes sabem que devem alçar-se até a luz e saudar o ar com tantas flores e cores?
É sempre a mesma primavera que repete seu papel?
E o outono?... ele chega legalmente ou é uma estação clandestina?
Pablo Neruda
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terça-feira, 16 de março de 2010
Tática e Estratégia
olhar-te
aprender como tu és
querer-te como tu és
minha tática é
falar-te
e escutar-te
construir com palavras
uma ponte indestrutível
minha tática é
ficar em tua lembrança
não sei como nem sei
com que pretexto
porém ficar em ti
minha tática é
ser franco
e saber que tu és franca
e que não nos vendemos
simulados
para que entre os dois
não haja cortinas
nem abismos
minha estratégia é
em outras palavras
mais profunda e mais
simples
minha estratégia é
que um dia qualquer
não sei como nem sei
com que pretexto
por fim me necessites.
(Mario Benedetti)
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